Este artigo nasceu de uma experiência do meu cotidiano. Costumo falar sobre saúde mental, estresse e riscos psicossociais, mas hoje quero abordar um tema diferente: o empreendedorismo.
Recentemente, precisei revisar as instalações elétricas da minha casa e, ao conversar com o eletricista, percebi uma realidade comum a muitos profissionais altamente capacitados tecnicamente, mas que enfrentam desafios no mundo dos negócios.
Apesar de sua excelência na parte técnica, a falta de visão empreendedora pode limitar suas oportunidades e seu crescimento profissional.
É uma tarefa simples?
Empreender, de fato, não é uma tarefa simples. Segundo o SEBRAE, muitas pessoas ingressam no empreendedorismo como uma alternativa ao desemprego, sem uma preparação adequada para os desafios de gerir um negócio.
Ser um bom profissional na sua área é essencial, mas não é suficiente. Administrar uma empresa – mesmo que seja um pequeno negócio individual – exige planejamento, gestão financeira, estratégias de marketing e, principalmente, habilidades interpessoais e de comunicação.
Mas vamos além dos números e dados estatísticos. O que realmente importa aqui é entender o contexto atual do empreendedorismo e como ele pode abrir novas possibilidades.
No caso dos eletricistas, há um amplo campo de atuação, que vai desde o trabalho autônomo até a criação de uma empresa estruturada. Além disso, há o empreendedorismo social, que permite não apenas o crescimento do profissional, mas também o impacto positivo na comunidade, promovendo benefícios que vão além do lucro. Esse, no entanto, é um tema para outro momento.
Quais são as oportunidades?
Ao empreender, você pode atuar de forma independente ou liderar uma equipe. As possibilidades são diversas: instalação e manutenção elétrica, consultoria, automação residencial, energia sustentável, formação de novos eletricistas, entre outras.
Inclusive, este assunto é bem abordado nas palestras que o diretor-executivo da Abrapeel, Orestes Rodrigues Junior aborda, aliás, existem praticamente duas centenas de áreas ligadas ao eletricista, onde ele pode se destacar em um nicho pouco explorado.
No entanto, para aproveitar essas oportunidades, não basta apenas oferecer um serviço de qualidade. É essencial saber se comunicar bem, negociar preços e prazos, conquistar a confiança do cliente e estimular recomendações.
“Quem não se comunica, se estrumbica”
Nesse sentido, o atendimento ao cliente é um diferencial. Mas o que quero realmente destacar é que, para crescer profissionalmente, é indispensável desenvolver sua comunicação.
Saber argumentar e negociar seus valores, explicar o serviço prestado e demonstrar sua importância são habilidades que fazem toda a diferença. Afinal, um cliente bem informado sente mais segurança no profissional e tem maior probabilidade de indicá-lo para outras pessoas.
Além da comunicação, outras características são essenciais para um bom empreendedor: paciência, disciplina, organização, honestidade e responsabilidade. No entanto, há um fator que muitas vezes passa despercebido: o equilíbrio emocional.
Um profissional emocionalmente equilibrado tende a tomar decisões mais assertivas, manter a atenção aos detalhes e melhorar seu desempenho no dia a dia. A percepção de risco, a memória e a capacidade de manter o foco são diretamente influenciadas pelo estado emocional do profissional.
Por isso, mais do que simplesmente “conseguir” clientes, é preciso conquistá-los com um trabalho bem-feito e uma postura profissional adequada. Isso envolve desde o primeiro contato até o pós-atendimento, garantindo que sua reputação no mercado seja fortalecida.
Se você sente que as dificuldades no empreendedorismo estão relacionadas a questões comportamentais, saiba que a ABRAPEEL oferece gratuitamente um setor de orientação psicológica e comportamental para seus associados. Se esse for o seu caso, busque ajuda e invista em seu desenvolvimento. Afinal, empreender é um desafio, mas também uma grande oportunidade para transformar sua carreira.
Vamos conversar mais?
Fátima Antunes é psicóloga, ergonomista, doutoranda em engenharia de produção, mestre em psicologia social, pós graduada neuroeducação. Especialista em gerenciamento do estresse pelo International Stress Management Association (ISMA-BR). Também é diretora da SST Games, professora universitária, autora dos jogos Papo Cabeça, Conversa Segura, Slogança e outros jogos para a área de Saúde e Segurança do Trabalho, autora do livro Estresse em Advogados e perita judicial em saúde mental do trabalhador.
COMMENTS